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DIA DO FEIRANTE: “A gente tem que trabalhar com amor e é muito importante valorizar a nossa raiz”, diz Dona Maria Dominga, que há mais de 10 anos comercializa produtos na Central de Abastecimento


25 de agosto de 2019, 09:19

“É tudo, porque o nosso ganha pão é daqui. Eu não trabalho de carteira assinada, não tenho outro emprego, nosso sustento nós tiramos daqui”, afirma, de imediato, Maria Dominga, na feira livre que – como ela mesma descreve – é trabalho, sustento, labuta, fonte de renda, mas também família.

Foto: Roberto Fonseca

É que atividade de comercializar produtos que ela aprendeu com a mãe virou ramo de trabalho, possibilidade de desenvolvimento, alimento no prato das famílias. Os legumes, grãos, raízes que vão pra panela, e se transformam em cozido, refogado, sopa, canjica, purê, têm, na sua origem, mãos de pessoas como Dona Maria Dominga, que sabem que a terra nutre, revigora, faz crescer e alimenta.

O resultado desse trabalho tem números: de acordo com dados do censo agropecuário, em índices gerais, mais de 80% da mandioca e 70% do feijão servidos cotidianamente no prato do brasileiro vêm da agricultura familiar.

O produto que vem da terra e enche a mesa de quem está na cidade, com resultados efetivos para a qualidade de vida das famílias, abastece a cesta de quem está na feira e gera excedente, movimenta toda a cadeia produtiva. É resultado no campo, mas também no abastecimento, no crescimento econômico do município.

“[Aprendi] com a minha mãe. Eu vinha mais ela e comecei a trazer a cenoura da roça, feijão de corda, andu. Naquela época, trazia pouca coisa, vinha com o balaio e voltava, não era assim como eu fico hoje, a semana toda, de segunda a sábado”, revelou, aos 52 anos, enquanto comercializava os produtos na Central de Abastecimento, neste sábado (24).

Foto: Roberto Fonseca

Enquanto vendia, à clientela, laranja, abacaxi, milho, mamão, a barraca ao lado comercializava banana, uva, batata, amendoim. Nada de concorrência. Jéssica, vizinha, na feira, à Dona Maria Dominga, aprendeu a arte de comercializar produtos com a mãe.

“Ali é minha filha. Só tenho uma. Desde pequena eu já trazia. Uma vez eu trouxe ela pra vender comigo. Aí eu botei e ela disse ‘mãe, eu quero ter o meu balaio’. Eu botei ela do lado, assim, e a freguesa comprou na mão dela. Na outra semana, eu disse ‘você não vai, não’, e ela ‘não, mãe, eu quero ir, porque minha freguesinha disse que estava me procurando e eu quero encher um litro de dinheiro’. Desse dia em diante pra cá, e ela pequena, acho que com 3, 4 anos, ela vinha comigo. E está aí, ó, trabalhando. 28 anos. Já se formou, tá na faculdade agora, mas a feira ela não deixa. Aí foi de mãe pra filha. Da minha mãe passou pra mim, para minhas irmãs, pra ela. Aqui tudo é parente”, contou Maria Dominga.

Foto: Roberto Fonseca

O trabalho da mãe, que enche de orgulho a filha, passa de geração para geração. E a atividade que começou com a mãe da mãe de Jéssica continua mantendo não apenas o sustento, mas a união da família. “É muito importante porque daqui se tira o ganha pão dos filhos, para sustentar os netos, os bisnetos, então a gente tem que trabalhar com amor, né, e é muito importante valorizar a nossa raiz”, salientou Dona Maria, sobre a importância de reconhecimento do trabalho dos pequenos produtores que, como ela, se dedicam à comercialização de produtos de qualidade na feira.

Para homenagear esses trabalhadores que fazem da rotina no local uma forma de manter as famílias, mas também de abastecer os pratos de Alagoinhas, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura (SEMAG) e da diretoria da Central de Abastecimento, se antecipou à data festiva e realizou, no último sábado (24), uma ação com atendimentos gratuitos, massoterapia, aferição de pressão, glicemia, cortes de cabelo e outros serviços abertos à população na feira. A iniciativa contou com apoio das secretarias municipais e de parceiros da iniciativa privada, como o CETASS, o SENAC, Concreta Cursos, Laboratório Quality, Spazzio Logos e CrediBahia, entre outros.

Foto: Roberto Fonseca

Segundo o diretor da Central de Abastecimento, Osvaldo Cruz, a ação, voltada aos permissionários, chama a atenção para a valorização dos profissionais que fazem parte, hoje, do principal mercado popular de abastecimento da população de Alagoinhas, com 30 anos de existência.

Foto: Roberto Fonseca

Para o secretário municipal de agricultura, Geraldo Almeida, foi pensando em homenagear essas pessoas, que atuam em diferentes segmentos, atendendo cuidadosamente ao público, que a programação foi pensada.

Ainda segundo o secretário, em Alagoinhas, no interior da Bahia – unidade da federação com o maior número de agricultores familiares do Brasil –, a Prefeitura tem unido esforços e implementado ações com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento dos pequenos produtores rurais.

Além da reforma iniciada no setor de confecções, em uma obra histórica para a Central de Abastecimento, desde a sua fundação, Geraldo Almeida informou que a Secretaria Municipal de Agricultura tem investido também em programas de fertilização do solo para as comunidades, assistência técnica, qualificações, melhorias nas estradas vicinais e distribuição de implementos a homens e mulheres do campo – tudo isso com foco em reduzir os custos de preparo da terra para o agricultor e em contribuir para o fortalecimento das associações de trabalhadores rurais.

Com as políticas de incentivo, a secretaria pretende melhorar a qualidade de vida de pessoas como Dona Maria Dominga, e Jéssica, a filha dela, que agora utiliza também a plataforma digital para divulgar os produtos. Ela publica no perfil da rede social algumas das frutas que as pessoas podem encontrar na Central, especificando qualidades nutricionais do alimento, e une um pouco do que aprendeu com a mãe aos novos formatos da era digital, sem abandonar a feira.

Nacionalmente, o Dia do Feirante é comemorado desde 1914, quando foi realizada a 1ª Feira Livre do Brasil, no Largo General Osório, em São Paulo, e o hábito de vender diretamente ao consumidor virou tradição regulamentada em lei.

 

 

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